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Opinião do O Globo ajuda, mas também atende aos interesses do Grupo

10/09/2019

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Não existe novidade na mudança da linha editorial do O Globo sobre a legalização dos jogos. A opinião favorável do Grupo Globo já tinha sido manifestada através do editorial ‘O melhor é legalizar o jogo para regulá-lo’ (21.03.18).

O editorial defende agilidade na regulamentação das apostas esportivas pelo Executivo e aproveita para apoiar a legalização de projetos voltados para o turismo a exemplo de Cingapura sentido tramitando na Câmara dos Deputados.

A opinião do principal grupo de comunicação do país ajuda no processo de tramitação das propostas no Congresso Nacional e junto ao executivo na regulamentação das apostas esportivas, mas os defensores também entendem que neste súbito interesse do Grupo Globo existem motivos comerciais e eles passam pelo fantasy game Cartola FC e a Lei Sheldon Adelson.

Com 13 milhões de times cadastrados até 2018, um crescimento de 31% em relação ao ano anterior, o Cartola FC foi eleito um dos quatro maiores apps de games do Brasil em 2018 de acordo com o relatório da companhia de análise do mercado mobile, App Annie. Criado em 2005, o fantasy game do Brasileirão teve sua versão PRO lançada em 2016. Em 2018, 424 mil cartoleiros aderiram à versão PRO, 26% acima de 2017. Em 2018, a plataforma reuniu oito milhões de participantes ativos.

O Cartola FC, no entanto, ainda não envolve apostas a dinheiro dos seus jogadores, mas a plataforma é hoje considerada o maior fantasy game de futebol do mundo. Com certeza o Grupo Globo saberá tirar proveito do banco de dados do Cartola e do poder da comunicação da Globo quando as apostas esportivas estiverem regulamentadas no país.

Fantasy games gera vantagens nas apostas esportivas

Nos Estados Unidos, o gênero de fantasy games é bastante popular e costuma envolver apostas a dinheiro baseadas em campeonatos como a liga de basquete NBA e a liga de futebol americano NFL – recentemente, sites como Draft Kings e FanDuel tiveram uma grande valorização depois que a Suprema Corte revogou a Lei de Proteção ao Esporte Profissional e Amador, em maio do ano passado.

O DraftKings e o FanDuel alavancaram suas enormes bases de usuários e banco de dados para mergulhar no mercado de apostas esportivas quando Nova Jersey legalizou a prática em junho. Atualmente, são os principais participantes de um estado que gerou cerca de US$ 1,9 bilhão em apostas e ainda estão fazendo parcerias para operar em outros estados.

Vale o que está escrito

O lado positivo do posicionamento do Grupo Globo é que o discurso “já está mais do que na hora de se adequarem legislações obsoletas aos tempos atuais. E não só em relação às apostas esportivas, mas também aos jogos de modo geral, proibidos no Brasil desde 1946. Ao longo de mais de sete décadas, o avanço da tecnologia digital tornou letra morta o veto à atividade, à medida que ela pode ser feita de forma eletrônica, fora do alcance do Estado” vale para todas as modalidades hoje operadas na ilegalidade ou na zona cinzenta.

Portanto, pau que dá em Chico, dá em Francisco, em François e até no Franco…Ou seja, o mesmo discurso do Grupo Globo para as apostas esportivas e cassinos em resorts integrados do Senhor Adelson, também vale para os bingos, jogo online, cassinos, BR1 e jogo do bicho…

E como diz o editorial do O Globo: “Certamente, essas atividades estariam mais perto dos olhos do Estado do que hoje, funcionando na clandestinidade.”