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Hélio Rocha: Jogo Legal

12/07/2019

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Hélio Rocha*

O primeiro samba a ser gravado no Brasil, isto em 1016, “Pelo Telefone”, de Ernesto dos Santos, o Donga, ironizava a tolerância policial em relação à prática de jogos, ditos, de azar. “Pelo telefone, o chefe de polícia, manda me avisar, que há uma roleta, na Carioca, para se jogar!”

Tempos depois, haveria cassinos legalizados no Brasil. No Rio, o mais famoso, o cassino da Urca, em Petrópolis, no Hotel Quitandinha, e em Araxá, Minas Gerais. Mas o presidente Gaspar Dutra decidiu proibir os jogos e, desde então, final da década de 1940, cassinos são proibidos no Brasil.
No ano passado a Câmara dos Deputados quase votou a legalização dos jogos, sendo provável que isto agora venha a acontecer neste semestre.
Tirando algumas inconveniências, cassinos não seriam um mal para o Brasil, um dos poucos países onde hoje são ilegais. Cassinos geram renda e empregos.
Alguns temem que pobres podem perder dinheiro, o que não é verdade, pois pobres não frequentam cassinos. Eles perdem dinheiro, isto sim, nesses jogos bancados pela Caixa Econômica Federal.
Claro que os concessionários da exploração de cassinos precisam ser rigorosamente selecionados, de modo tal que, por exemplo, traficantes de drogas e outros criminosos não banquem o jogo. Cassinos não podem estar em todos os lugares, sendo recomendado, por exemplo, que se localizem em resorts. Em Goiás, o eixo Caldas Novas-Rio Quente seria o ponto ideal.
Localidades nas quais existem cassinos geralmente não sofrem problemas de desemprego e insegurança. Bons exemplos nesse sentido são Mar del Prata, na Argentina, e Viña del Mar, no Chile.
Em Atlantic City, no Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, tempos atrás existia movimento turístico por causa de suas praias. Mas a era do jato na aviação aproximou dos norte-americanos praias muito mais agradáveis, como as do Caribe. Atlantic City entrou em decadência, com desemprego e insegurança. A legalização do jogo restabeleceu o bom nível de renda e a segurança.
Existe forte tendência na Câmara dos Deputados para a aprovação do jogo legal, o que tem apoio até do presidente da Casa, Rodrigo Maia. Não será ruim para o País.
(*) Hélio Rocha é escritor, membro da Academia Goiana de Letras e escreveu o artigo acima no jornal “O Popular” de Goiânia – GO.